sem fim
Paulo Prazeres
O amor sinto-o vivo. A correr-me nas veias. Libertino.
Um silêncio desdobrado em palavras rasgadas. Um coração que explode em breves poemas de luz. Acordes que se multiplicam em histeria.
O amor sinto-o como um choque. Voraz. Inultrapassável.
Uma textura que queima a carne. Um sorriso com a espessura de um tempo que não termina. A viagem volátil que reinventa as necessidades do delírio. Revoadas de sonhos. Cânticos em todas as manhãs do mundo.
O amor sinto-o na palma das mãos. Quando elas se volteiam sem o toque das tuas. Quando me deixas os olhos da cor da água.
Um múrmurio como se de uma onda se tratasse. Um jogo de fazer versos. Uma janela indiscreta que se move nas horas más.
O amor sinto-o aqui mesmo. Na minha face. Um concerto que se prolonga no dia seguinte. Sem fim.
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