heróis de carne e osso
Paulo Prazeres
Primeiro revelou uns olhos muito tímidos e depois as faces amolecidas. Só então, e ainda que por muito esquivo fosse, esboçou um sorriso. Os lábios afastaram-se ligeiramente. Nas pregas das orelhas, os brincos dançaram. Trazia o cabelo apanhado na nuca. Disse depois o nome. Chamava-se Lúcia. Achei-o bonito.
Estávamos sentados no mesmo sofá cor de laranja. Ela cruzou as pernas em forma de tesoura e acariciou uma malha das meias. Eu sorvi um pouco do meu Bacardi e acariciei-lhe também a malha das meias. As nossas mãos cruzaram-se. Os nossos corpos engrandeceram-se.
Ela beijou-me a face. Tinha a língua quente. Os brincos rodopiaram violentamente nas orelhas. Os cabelos estavam agora soltos. Do pescoço escorria-lhe um fio brilhante de suor. Depois pousou ambas as mãos sobre o meu peito. Ajeitou melhor as ancas e mordeu-me os lábios. Toda ela suava agora. Chamei-a pelo nome e rimo-nos sem sabermos porquê.
Encostei os lábios aos dela e disse-lhe que tinha sido bom. Disse-lhe também que gostava de repetir. Ela consentiu com um aceno de cabeça. Tinha de novo o cabelo apanhado na nuca. Parecia mais bonita ainda. Paguei o que lhe devia e abandonei-me ao sofá cor de laranja. Quando saiu acabei por não conseguir esquecê-la.
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